terça-feira, 20 de dezembro de 2016

APÓSTOLOS DE ONTEM (pobres) X APÓSTOLOS DE HOJE (milionários)

Não sou adepto da classificação dessa geração de pregadores que se autodenominam apóstolos, pois ainda acredito que a nobreza do título cabe somente aos 12 primeiros, escolhidos e nomeados diretamente por Jesus e que depois disso a Igreja instituiu presbíteros e/ou bispos, que hoje são os pastores ou padres. Para isso acredito ter motivos bíblicos, teológicos, eclesiais e históricos que não vem ao caso descrevê-los aqui. Tanto é que no título pensei em colocar entre aspas os “Apóstolos” de hoje. Mas, para que ninguém me tenha como retrógado, conservador ao extremo ou fundamentalista, vamos admitir que a função de apóstolo seja atual e que Cristo continue nomeando e enviando os tais com uma missão mais específica, em especial a de fundar igrejas, como afirma a interpretação atual, mais notadamente a neopentecostal. Neste caso me chama a atenção a condição econômica dos apóstolos da atualidade, infinitamente diferente daquela vivida pelos primeiros doze escolhidos por Jesus. Se não, vejamos. A Bíblia diz que “Havendo Jesus convocado os Doze, concedeu-lhes poder e completa autoridade para expulsar todos os demônios, assim como para realizarem curas. Igualmente os enviou para proclamar o Reino de Deus e curar os doentes”. (Lucas 9.1,2). Facilmente alguém diria que os atuais apóstolos das megaigrejas e locatários dos melhores horários das grandes emissoras de TV estão fazendo isso. Um exemplo seria o apóstolo Valdemiro, que aparece em seus cultos televisados curando doentes e expulsando demônios e com isso, diria ainda, proclamando o Reino de Deus. É verdade que há uma distância enorme entre fazer milagres e proclamar o Reino de Deus, mas também isso não vem ao caso aqui. Ocorre que ao enviar os apóstolos para essa missão, a Bíblia diz que Jesus lhes deu a seguinte orientação: “Nada leveis convosco pelo caminho: nem bordão, nem mochila de viagem, nem pão, nem dinheiro e nem mesmo uma túnica extra. Na casa em que entrardes, ali permanecei até que chegue a hora da vossa saída”. (Lucas 9.3,4). Essa orientação nem de longe se parece com o comportamento financeiro dos apóstolos atuais. Nela Jesus está dizendo aos apóstolos que abram mão dos suprimentos mais básicos de sobrevivência, vivendo na total dependência da providência divina. Dito de outra forma, Jesus estava indicando-lhes que o equipamento da Missão seria espiritual e não material. Acredito que se fosse hoje Jesus diria aos apóstolos atuais mais ou menos assim: “Nada leveis convosco nesta missão, nem carrões, nem jatinhos, nem milhares de dólares, nem roupas caríssimas. Não recebam dinheiro de políticos, pois pode ser que seja sujo. Também não objetivem altíssimos salários e nem adquirais mansões e fazendas. Ao contrário, durmam na casa de pobres irmãos que de bom grado lhes hospedarão. Vivam financeiramente – diria o Mestre – como a grande maioria das pessoas às quais vocês haverão de curar e libertar de demônios”. Concluindo Jesus repetiria o que disse há mais de dois mil anos: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mateus 8.20).