quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Jesus: a simplicidade do nascimento ao sepultamento

Nelson Gervoni

"Se Jesus optou por uma vida de simplicidade desde o nascimento até o sepultamento, por que as estruturas, os sistemas e os líderes religiosos cristãos são tão opulentos?" Por sua majestade Jesus poderia ter nascido num palácio, mas nasceu numa cocheira de animais, sendo enrolado por sua mãe com tiras de pano (Lucas 2.7). A Lei de Moisés (Êxodo 13.12 ss) dizia que todo primeiro filho do sexo masculino tinha que ser consagrado a DEUS com uma oferta de animal que seria uma espécie de substituição. Pela glória que já possuía, Jesus bem que merecia que sua oferta de substituição fosse um novilho tenro e bonito, mas a condição financeira de José e Maria lhes permitiu ofertar apenas dois pombinhos (Lucas 2.24). Por sua glória e por ser Filho do Criador, dono do ouro da prata (Ageu 2.8), Jesus bem que merecia morar num palácio ou numa das melhores casas da sua terra e viajar nas mais caras carruagens da época. No entanto, quando um escriba se aproximou dele dizendo que o seguiria para onde quer que ele fosse, Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mateus 8.19-20). Por sua nobreza Jesus bem que poderia ter se relacionado somente com os homens mais ricos e influentes do seu tempo. Porém, andava também entre os pobres, enfermos – inclusive os rejeitados leprosos – mulheres de conduta duvidosa, prostitutas e toda a erroneamente chamada “escória da sociedade”, sendo inclusive chamado certa vez de “glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores!” (Mateus 11.19b). Quanto à sua morte, teria a mesma eficácia teológica se ele fosse crucificado sozinho. Ou quem sabe ele fosse morto entre dois outros homens de boa reputação e injustiçados como ele foi. Todavia, dois ladrões foram crucificados com ele, um à sua direita e outro à sua esquerda (Mateus 27.38), sendo ofendido por um e defendido por outro (Lucas 23.39 ss). Por fim, seu funeral e sepultamento só tiveram certa dignidade porque um seu simpatizante “um homem rico, de Arimatéia, por nome José, o qual havia se tornado discípulo de Jesus” (Mateus 27.57b), pagou as custas de um túmulo novo para ele. Essas coisas nos remetem a uma importante reflexão: Se Jesus optou por uma vida de simplicidade desde o nascimento até o sepultamento, por que as estruturas, os sistemas e os líderes religiosos cristãos são tão opulentos? Por que granjeiam para si mesmos tanta riqueza? Por que, ao invés de uma vida simples, a exemplo de Jesus, optam por tanta presunção, pretensão, vaidade e soberba? Por essas e outras causas Mahatma Gandhi disse certa vez que gostava de Cristo, mas não gostava de seus cristãos. “Seus cristãos são tão diferentes do seu Cristo”, disse ele. Millôr Fernandes - que se não me engano era ateu - disse algo interessante que se aplica a isso: "Eu não dou nenhum centavo por um homem que enriquece com a sua causa".

É também por essas razões que hoje há tanta gente escandalizada e decepcionada com certos segmentos “cristãos”, fazendo tentativas, ora bem, ora mal sucedidas de seguir a Cristo longe das “batalhas constantes entre aqueles que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais imaginam que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6.5).